[...] Gabriel era o perfeito cafageste. E ainda burro, que só se formou porque seus pais têm muita grana. Daqueles jogadores de futebol metidos e populares que namoram as líderes de torcida mais siliconadas do planeta. Rita não era nem líder de torcida, nem siliconada, mas era popular. E por isso eles namoraram por quase um ano e meio. Mas o colégio terminou e, com ele, o "amor" de Gabriel por Rita. Apesar de tudo - e de Leo -, a loirinha esperava nunca superar esse babaca. Gabriel era a única pessoa que Larissa fazia questão de sempre ter ao lado.
Larissa nunca foi exatamente capaz de bolar alguma coisa muito grande, ainda mais alguma coisa pra destruir com as únicas pessoas que conseguiam ver o seu lado bom. Não que ela realmente se importasse, afinal pessoas são bem descartáveis.
Hannah foi a primeira a chegar, ainda meio desconfiada. Larissa nunca fazia coisas daquele tipo - nem reuniõezinhas pra rir e comer até explodir, nem festas absurdas com duzentas pessoas. Não admira que ela nunca mais foi eleita a Rainha do Parquinho - esse posto, com o tempo, foi dado para Rita, que tinha mais dinheiro, o cabelo mais loiro, os olhos mais azuis e a maior casa. Isso rende popularidade, sabia?
Quando Gabriel chegou, as duas estavam apoiadas na janela da cozinha, olhando as pessoas na calçada, rindo e falando alto. Talvez elas estivessem um pouquinho bêbadas.
- Hm, gostei disso!
Ele disse, entrando na casa. Larissa saiu correndo pra falar com ele, mas Hannah ficou na janela. Nem queria saber o que Larissa pretendia com tudo aquilo. Ainda achava que não tinha sido uma boa idéia querer deixar Gabriel e Rita respirando o mesmo ar. Gabriel apareceu na cozinha. Larissa vinha logo atrás, com uma expressão demoníaca e o Controle na mão. Hannah não percebeu. Muito menos Gabriel.
- Não vai nem me dar um oi?
Ele fez um bico, sorrindo logo em seguida. Pobre Gab, nem sabia o que estava acontecendo. A culpa não era dele se Larissa era uma vaca. Hannah sorriu de volta e foi abraçá-lo.
- Desculpa, Gab, mas as coisas estavam bem interessantes na janela!
Disfarçou. Larissa sorriu, atrás dele.
- Então, cookies?!
Larissa se meteu no meio dos dois, achando que aquilo já estava durando demais.
Quando estavam no meio da receita, a campainha tocou. Rita e Leo. Quando atendeu a porta, Larissa quase avançou no pescoço de Rita, mas se controlou só pra ver a cara dela quando encontrasse Gabriel na cozinha.
- A Hannah tá na cozinha, venham!
Larissa puxou o braço de Rita e Leo ficou pra trás. Ele sabia o que ia acontecer.
Segundos depois, Rita saiu correndo escada a cima, chorando. Hannah saiu correndo atrás, antes que ela fizesse qualquer besteira. Depois, Gabriel.
- Oi Leo.
Eles eram amigos, apesar de tudo.
- Oi Gab.
Gabriel parecia meio triste com o que tinha acontecido. Leo sabia que ela sincero.
- Tsc, eu não sabia que ela vinha, se não eu não teria aparecido.
Deu de ombros e cumprimentou Leo numa batida de mãos.
- Eu sei, tudo bem.
O sorriso dele reconfortava qualquer um.
- Certo, acho que eu preciso ir!
Gabriel abriu a porta e foi embora. Agora restavam Leo e Larissa, de novo. Ele foi até a cozinha, já estava irritado com aquela história toda.
- Olha aqui, se você continuar com isso, eu não me responsabilizo pelo que eu posso fazer contigo!
Ele enfiou o dedo na cara dela. Nunca fazia isso, nunca perdia a paciência. Larissa estava saindo do limite.
- Há! Você não tem o que fazer. Aliás, eu nem estou fazendo nada.
Ela deu de ombros, falsa, e mostrou as mãos vazias.
Calma, Leo. Ele respirou fundo algumas vezes e esfregou o rosto com as mãos. Depois, abriu os olhos azuis e encarou Larissa.
- Mais uma, Larissa, e você vai ver como eu não tenho o que fazer.
Ele deve ter se controlado muito pra não ter arrebentado a cara daquela vadia. Foi atrás de Rita e Hannah, no andar de cima, e encontrou as duas no banheiro do corredor. Rita estava com o rosto rosa, mas não chorava mais, e Hannah a olhava preocupada.
- Tudo bem?
- Agora sim.
- Vamos embora.
[...]




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