terça-feira, 19 de janeiro de 2010

@Friend control (2)

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Larissa tinha um Renault Logan na garagem, mas estava de dieta e precisava caminhar.
- Rita tem um Porsche.
Era isso o que repetia para si mesma, toda vez que via o Renault. Ela considerava isso apenas uma maneira eficiênte de não sair com o carro, não era inveja. Enquanto descia a rua, dizia a frase em voz baixa mais algumas vezes.
Larissa nem morava tão longe da tal loja, era apenas a algumas quadras de distância, mas o sol já estava fazendo a pobrezinha se arrepender de não ter usado o carro. Vinte minutos depois, lá estava ela, na frente de uma prapeleira infinita para os dois lados, procurando o tal controle universal. Ela não sabe escolher nada sozinha, apesar de ser tão cheia de si. Ligou para Rita.
- Rosa ou azul?
- Rosa!
Rita nem pensou em perguntar do que a outra estava falando, mas era uma pergunta e envolvia rosa, então ela respondeu automaticamente. Larissa agradeceu e desligou, pegando da prateleira o controle universal azul. Estava não emocionada com o controle novo, que passou o caminho inteiro de volta pra casa olhando o aparelho - com isso, tropeçou em duas pedras e num cachorro. De qualquer forma, chegou viva em casa, apenas com um joelho da calça meio ralado. Tsc, sua calça favorita.
Entrou na sala, deixou as chaves e o celular na mesinha de centro e se jogou no sofá bege de três lugares. A reprise de The Sopranos estava prestes a começar e ela não podia perder, já que tinha perdido na noite passada. Colocou pilhas no controle e apertou "turn on". Mágica, funciona! Mas perdeu os quatro primeiros segundos da abertura da série.
Popular, da The Veronicas, começou a tocar. Maldita hora pra alguém ligar!
- Oi.
Larissa não sabia ser educada quando alguém, despropositalmente, a interrompe no meio de alguma coisa importante.
- Lari, preciso de ajuda! E muito chocolate e sorvete e cookies e panquecas! Vem pra cá agora!
Era Rita, chorando.
Certo, vou deixar de ver meu programa só pra ir na tua casa te ouvir chorar. Foi isso que ela pensou e abriu a boca pra dizer, mas o comercial entrou e ela volto a si.
- Não tem como ser daqui um pouco? Tu me pegou numa péssima hora!
Rita teria chorado mais alto, se não fosse tão discreta.
- O Gabriel terminou comigo, Lari! E ele nem deu uma desculpa aceitável. Quer dizer, ele podia ter mentido, dito que não tinha mulher nenhuma no meio, mas ele fez de propósito, ele queria me fazer sofrer. Lari, eu preciso muito esquecer ele! Por que você não vem pra cá...
Enquanto Rita tagarelava, Larissa estudava o controle universal azul. Já tinha visto um filme onde o personagem comprava um desses e pedia controlar as pessoas ao redor. Parecia uma idéia tentadora. Analisou os botões e encontrou um vermelho, de aparencia perigosa, bem embaixo, escrito "turn into". Apertou. Quase no mesmo instante, Rita parou de falar. Larissa arregalou os olhos e mexeu a boca num enorme "OH-MY-GOSH". No visor do controle, apareceu o comando "complete a frase 'mudar para...'". Ela pesou por dois segundos e então sussurrou:
- Fazer Rita esquecer o assunto e só me ligar daqui uma hora.
Ela não sabia o que dizer exatamente mas, aparentemente, aquilo bastou.
- Er, acho que eu esqueci as panquecas no liquidificador. Mais tarde eu ligo, beijo!
Rita não estava nem com a fala embargada pelo choro. Parecia até meio sem expressão alguma. Assim que ouviu o click do outro lado da linha, Larissa levantou e começou a pular no sofá, gritando, histérica.
- AAAAAAAHHHHHHHH, SOU MUITO FOOOODA!
Fez isso por bons quinze minutos e então pegou as chaves e o celular e saiu de casa mais uma vez. Agora seu destino era a casa de Leo, aquele loiro por quem ela era apaixonada desde a quinta série, mas nunca passara de amigo.

[...]

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