terça-feira, 26 de janeiro de 2010

@Friend control (5)

[...]

Gabriel era o perfeito cafageste. E ainda burro, que só se formou porque seus pais têm muita grana. Daqueles jogadores de futebol metidos e populares que namoram as líderes de torcida mais siliconadas do planeta. Rita não era nem líder de torcida, nem siliconada, mas era popular. E por isso eles namoraram por quase um ano e meio. Mas o colégio terminou e, com ele, o "amor" de Gabriel por Rita. Apesar de tudo - e de Leo -, a loirinha esperava nunca superar esse babaca. Gabriel era a única pessoa que Larissa fazia questão de sempre ter ao lado.

Larissa nunca foi exatamente capaz de bolar alguma coisa muito grande, ainda mais alguma coisa pra destruir com as únicas pessoas que conseguiam ver o seu lado bom. Não que ela realmente se importasse, afinal pessoas são bem descartáveis.

Hannah foi a primeira a chegar, ainda meio desconfiada. Larissa nunca fazia coisas daquele tipo - nem reuniõezinhas pra rir e comer até explodir, nem festas absurdas com duzentas pessoas. Não admira que ela nunca mais foi eleita a Rainha do Parquinho - esse posto, com o tempo, foi dado para Rita, que tinha mais dinheiro, o cabelo mais loiro, os olhos mais azuis e a maior casa. Isso rende popularidade, sabia?
Quando Gabriel chegou, as duas estavam apoiadas na janela da cozinha, olhando as pessoas na calçada, rindo e falando alto. Talvez elas estivessem um pouquinho bêbadas.
- Hm, gostei disso!
Ele disse, entrando na casa. Larissa saiu correndo pra falar com ele, mas Hannah ficou na janela. Nem queria saber o que Larissa pretendia com tudo aquilo. Ainda achava que não tinha sido uma boa idéia querer deixar Gabriel e Rita respirando o mesmo ar. Gabriel apareceu na cozinha. Larissa vinha logo atrás, com uma expressão demoníaca e o Controle na mão. Hannah não percebeu. Muito menos Gabriel.
- Não vai nem me dar um oi?
Ele fez um bico, sorrindo logo em seguida. Pobre Gab, nem sabia o que estava acontecendo. A culpa não era dele se Larissa era uma vaca. Hannah sorriu de volta e foi abraçá-lo.
- Desculpa, Gab, mas as coisas estavam bem interessantes na janela!
Disfarçou. Larissa sorriu, atrás dele.

- Então, cookies?!
Larissa se meteu no meio dos dois, achando que aquilo já estava durando demais.

Quando estavam no meio da receita, a campainha tocou. Rita e Leo. Quando atendeu a porta, Larissa quase avançou no pescoço de Rita, mas se controlou só pra ver a cara dela quando encontrasse Gabriel na cozinha.
- A Hannah tá na cozinha, venham!
Larissa puxou o braço de Rita e Leo ficou pra trás. Ele sabia o que ia acontecer.
Segundos depois, Rita saiu correndo escada a cima, chorando. Hannah saiu correndo atrás, antes que ela fizesse qualquer besteira. Depois, Gabriel.
- Oi Leo.
Eles eram amigos, apesar de tudo.
- Oi Gab.
Gabriel parecia meio triste com o que tinha acontecido. Leo sabia que ela sincero.
- Tsc, eu não sabia que ela vinha, se não eu não teria aparecido.
Deu de ombros e cumprimentou Leo numa batida de mãos.
- Eu sei, tudo bem.
O sorriso dele reconfortava qualquer um.
- Certo, acho que eu preciso ir!
Gabriel abriu a porta e foi embora. Agora restavam Leo e Larissa, de novo. Ele foi até a cozinha, já estava irritado com aquela história toda.
- Olha aqui, se você continuar com isso, eu não me responsabilizo pelo que eu posso fazer contigo!
Ele enfiou o dedo na cara dela. Nunca fazia isso, nunca perdia a paciência. Larissa estava saindo do limite.
- Há! Você não tem o que fazer. Aliás, eu nem estou fazendo nada.
Ela deu de ombros, falsa, e mostrou as mãos vazias.
Calma, Leo. Ele respirou fundo algumas vezes e esfregou o rosto com as mãos. Depois, abriu os olhos azuis e encarou Larissa.
- Mais uma, Larissa, e você vai ver como eu não tenho o que fazer.
Ele deve ter se controlado muito pra não ter arrebentado a cara daquela vadia. Foi atrás de Rita e Hannah, no andar de cima, e encontrou as duas no banheiro do corredor. Rita estava com o rosto rosa, mas não chorava mais, e Hannah a olhava preocupada.
- Tudo bem?
- Agora sim.
- Vamos embora.

[...]

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

@Friend control (4)

[...]

A maneira como Hannah e Larissa se tornaram amigas ainda é um mistério para as duas. As duas, com sete anos de idade, desceram o pau uma na outra, no parquinho da escola. Motivo? As crianças estavam fazendo uma votação pra eleger as novas Rainha e Princesa do Parquinho e Hannah venceu Larissa. Pela primeira vez, nem em segundo lugar ela ficou. As duas ralaram os joelhos e perderam muitos fios de cabelo. Depois de alguns minutos com Rita, Larissa foi até Hannah para se desculpar. Depois disso, Hannah descobriu que Rita havia aberto mão de seu título de Princesa do Parquinho para que Larissa pedisse desculpas.
- Se quiser guardar o filme pra quando ela quiser aparecer de novo, eu não me importo.
Larissa, sempre pensando nas amigas. Leo franziu o cenho, desconfiado.
- Você sabe que isso que você tá fazendo é errado, não?
Ela congelou com o olhar fixo nos olhos azuis dele. Será que ele percebeu? Será que ele já sabia? Não, não tinha como. Sorriu.
- Querer deixar que ela assista o filme com você numa próxima vez? Ora, não acho que isso seja uma coisa ruim de se fazer.
Ele soltou a frigideira e o pano de prato que estavam nas suas mãos e passou os dedos pelos cabelos volumosos dela.
- Você sabe do que eu to falando.
Avisou, numa voz meio sombria demais. Em seguida, Larissa teve a ligeira impressão de que o rosto dele se iluminara e então ele voltou a sorrir.
- Então, vamos pra sala?

Por medo, Larissa deixou seu planinho de lado e, ao fim do filme e das panquecas que acabaram com sua dieta, ela voltou pra casa. Estava em seu quarto, com um pijama de ursinhos roxo, segurando o Controle nas mãos. O que era aquela coisa e o que ela estava fazendo? Era poder demais pra uma pessoa só. Da janela, uma música country irritante começou a tocar. Ela apontou o Controle para fora e apertou "mute", mas nada aconteceu.
- Mas o que...
Então uma luz se iluminou em sua cabeça. Será? Ficou de joelhos na casa e se apoiou na janela. Lá embaixo, uma ou outra pessoa passava na calçada. Ela apontou o controle para um homem com sacolas de compras nas mãos. Move to. Nada aconteceu. Larissa arregalou os olhos, pulou da cama e agarrou o telefone rosa que ficava em cima da escrivaninha. Ligou para Rita.
- Droga, achei que nunca mais fosse ligar!
Rita berrou do outro lado da linha. Parecia que tinha acordado de um transe.
- Ok, mas eu liguei. Que tal sair hoje à noite?
Testou. Rita ficou calada por uns segundos.
- Hm, acho que não vou poder ir, vai vir visita aqui hoje e...
Larissa apertou o primeiro botão de novo e Rita ficou queita da mesma maneira assustadora que antes.
- Decida que quer ir.
- Acho que vou poder sair sim, na verdade.
Click.
- Decida que não pode.
- É que, como eu disse, tem visita aqui hoje e...
- Que visita?
Rita parou de novo. Larissa quase podia vê-la mordendo o lábio, apreensiva.
- Não sei se...
- QUEM, Rita?
- Ah, é o Leo, mas...
- O LEO?
Não quis ouvir mais nada, desligou o telefone e enfiou a cara no travesseiro. Estava com preguiça de pensar, tinha acabado de comer meia pizza e quase um litro de Coca-Cola, mas o dia seguinte prometia.

O celular de Hannah chamou duas vezes antes que ela atendesse.
- Hannah? Oi! Olha, não quer passar aqui em casa hoje? Sei lá, vou convidar a Rita, o Leo e o Gabriel também!
- O Gabriel? Não acho que seja uma boa idéia, a Rita ainda não tá muito bem com ele.
Larissa sorriu.
- Não seja assim, vai ser melhor que eles se entendam de uma vez.
- Ah, certo, eu posso ir sim.
- Te vejo às 20h, beijinho!

A linha exclusiva do quarto de Rita chamou três vezes e, na terceira vez, foi atendida.
- Oi Larissa!
Larissa parou um segundo.
- Leo? O que você...
Ah, claro, a visitinha. Ela recobrou a postura e seguiu a falar.
- Então, você pode dizer pra Rita que eu estou convidando vocês dois pra virem aqui hoje? A Hannah também vem!
Dizer que Gabriel ia era bem dispensável.
- Não sei se...
Click.
- Larissa, já disse que o que você tá fazendo vai acabar causando problemas.
- Não to fazendo nada!
- De qualquer forma, eu aviso ela e nós vamos, ok? Que horas?
- Oito.
E desligou. Foi por pouco.
Aquela coisa só funcionava com amigos.

[...]

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

@Friend control (3)



[...]


Larissa conheceu Leo por intermédio de Hannah, outra amiga dos tempos do parquinho. Não era apaixonada por ele desde o começo ou qualquer coisa assim, mas achava o guri uma gracinha, com aqueles olhos de cachorrinho abandonado. Foi com o passar dos anos, obviamente, que Larissa começou a olhar para Leo de uma maneira diferente. Ela já se achava bastante adulta e ele realmente havia mudado, estava mais homem, como ela dizia. Leo era dois anos mais velho que Larissa, Rita e Hannah, mas estudavam no mesmo colégio e eram vizinhos de rua.

Duas quadras até a casa de Leo. Uau, se ela caminhasse daquele jeito normalmente, perderia seus 13kg sobrando muito mais rápido! Pensando assim, ela caminhou mais confiante e decidida - se é que isso é possível. Chegou em frente à casa de dois andares e meio, azul, onde Leo morava, e tocou a campainha. Odiava esperar. Demorou um minuto para o garoto aparecer na porta, com uma calça jeans velha e uma camiseta de pijama azul-escuro desbotada e de mangas compridas. Lembrou o pijama do vô dela, que até tinha o mesmo bolso esfarrapado de um lado do peito.

- Oi Leo!

- Oi Lari!

Para o mundo e joga essa vadia pra fora. O que Hannah estava fazendo sozinha em casa com o Leo dela? Larissa se controlou pra não gritar e abriu um sorriso.

- E aí, Hannah? O que vocês estavam fazendo?

Larissa sabe ser muito discreta. Hannah e Leo namoraram por três anos, nos tempos do colégio, até que ele entrou para a faculdade e desistiu do relacionamento. Apesar de ter ficado deprimida por oito meses - e ter engordado 5 kg por causa disso -, eles tinham voltado a se falar e pareciam mais amigos do que nunca. Perigosamente mais amigos para o gosto de Larissa.

- Leo fez panquecas! Estavamos comendo até explodir, quer entrar?

Quem ela pensa que é pra convidar os outro pra entrar sem a permissão do dono da casa?

- Isso, ainda tem muito chocolate e quanto mais gente pra comer, menos a gente engorda, entra!

Leo parecia animado com a idéia. Isso era bom. Quando Hannah se virou pra entrar na casa, Larissa olhou-a de cima a baixo. Fazia um mês, quase, que não se viam. Ela estava magra. Deve ter perdido todos os 5kg que ganhou na depressão pós-pé-na-bunda e ainda mais uns três. Vadia. Entrou logo atrás deles, enfiando a mão na bolsa à procura do Controle. Procurou o botão "blow up", mas esse, infelizmente, estava em falta. Se contentou com "move to". Quando Hannah e Leo sumiram na cozinha, ela apertou o botão e falou:

- Hannah. Longe daqui.

Nada aconteceu. Dois segundos depois, uma mensagem apareceu na tela, dizendo que ela precisava ser mais específica. Nome-Local.

- Hannah. Regent's Park.

A primeira coisa que lhe veio à mente. Um silêncio veio da cozinha e ela se aproximou da porta para ver o que ia acontecer.

- Gosh, olha que horas são! Minha mãe vem me visitar hoje e eu esqueci completamente! Droga... tenho que ir, mesmo.

Hannah soltou os talheres e os pratos em cima do balcão da pia, beijou o rosto de Leo e, em seguida, o de Larissa. Pegou a bolsa no chão da cozinha, ao lado da porta e se despediu de todos.

- A gente combina outro dia, tá? Amo vocês!

Jogando um beijo no ar, abriu a porta e saiu. Vitória! Leo ainda parecia não estar entendendo o que tinha acontecido com Hannah. Ou ele sempre teve essa cara de tapado que Larissa nunca percebeu. Saindo do transe que mantinha seus olhos fixos na porta da cozinha - onde Larissa não estava mais e por onde Hannah tinha saído -, ele sorriu de novo.

- É, parece que a gente vai ter que engordar sozinho! Me ajuda com esses pratos?

Ah, tão gracinha! Larissa correu para pegar as coisas pra ele, que estava terminando a última panqueca, no fogão. Ela não queria morrer, por isso esperou que Leo desligasse o fogo antes de tentar qualquer coisa.

- A Hannah também trouxe um filme, que ela disse que queria ver há séculos e que achava que eu ia gostar. Ah, que pena que ela teve que ir embora!

Se Larissa ouvisse mais uma vez o nome daquela japa de cabelo perfeito, ela iria vomitar. Mas precisava manter as aparências, afinal, não tinha fingido aquela amizade pra estragar tudo no final.

[...]

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

@Friend control (2)

[...]


Larissa tinha um Renault Logan na garagem, mas estava de dieta e precisava caminhar.
- Rita tem um Porsche.
Era isso o que repetia para si mesma, toda vez que via o Renault. Ela considerava isso apenas uma maneira eficiênte de não sair com o carro, não era inveja. Enquanto descia a rua, dizia a frase em voz baixa mais algumas vezes.
Larissa nem morava tão longe da tal loja, era apenas a algumas quadras de distância, mas o sol já estava fazendo a pobrezinha se arrepender de não ter usado o carro. Vinte minutos depois, lá estava ela, na frente de uma prapeleira infinita para os dois lados, procurando o tal controle universal. Ela não sabe escolher nada sozinha, apesar de ser tão cheia de si. Ligou para Rita.
- Rosa ou azul?
- Rosa!
Rita nem pensou em perguntar do que a outra estava falando, mas era uma pergunta e envolvia rosa, então ela respondeu automaticamente. Larissa agradeceu e desligou, pegando da prateleira o controle universal azul. Estava não emocionada com o controle novo, que passou o caminho inteiro de volta pra casa olhando o aparelho - com isso, tropeçou em duas pedras e num cachorro. De qualquer forma, chegou viva em casa, apenas com um joelho da calça meio ralado. Tsc, sua calça favorita.
Entrou na sala, deixou as chaves e o celular na mesinha de centro e se jogou no sofá bege de três lugares. A reprise de The Sopranos estava prestes a começar e ela não podia perder, já que tinha perdido na noite passada. Colocou pilhas no controle e apertou "turn on". Mágica, funciona! Mas perdeu os quatro primeiros segundos da abertura da série.
Popular, da The Veronicas, começou a tocar. Maldita hora pra alguém ligar!
- Oi.
Larissa não sabia ser educada quando alguém, despropositalmente, a interrompe no meio de alguma coisa importante.
- Lari, preciso de ajuda! E muito chocolate e sorvete e cookies e panquecas! Vem pra cá agora!
Era Rita, chorando.
Certo, vou deixar de ver meu programa só pra ir na tua casa te ouvir chorar. Foi isso que ela pensou e abriu a boca pra dizer, mas o comercial entrou e ela volto a si.
- Não tem como ser daqui um pouco? Tu me pegou numa péssima hora!
Rita teria chorado mais alto, se não fosse tão discreta.
- O Gabriel terminou comigo, Lari! E ele nem deu uma desculpa aceitável. Quer dizer, ele podia ter mentido, dito que não tinha mulher nenhuma no meio, mas ele fez de propósito, ele queria me fazer sofrer. Lari, eu preciso muito esquecer ele! Por que você não vem pra cá...
Enquanto Rita tagarelava, Larissa estudava o controle universal azul. Já tinha visto um filme onde o personagem comprava um desses e pedia controlar as pessoas ao redor. Parecia uma idéia tentadora. Analisou os botões e encontrou um vermelho, de aparencia perigosa, bem embaixo, escrito "turn into". Apertou. Quase no mesmo instante, Rita parou de falar. Larissa arregalou os olhos e mexeu a boca num enorme "OH-MY-GOSH". No visor do controle, apareceu o comando "complete a frase 'mudar para...'". Ela pesou por dois segundos e então sussurrou:
- Fazer Rita esquecer o assunto e só me ligar daqui uma hora.
Ela não sabia o que dizer exatamente mas, aparentemente, aquilo bastou.
- Er, acho que eu esqueci as panquecas no liquidificador. Mais tarde eu ligo, beijo!
Rita não estava nem com a fala embargada pelo choro. Parecia até meio sem expressão alguma. Assim que ouviu o click do outro lado da linha, Larissa levantou e começou a pular no sofá, gritando, histérica.
- AAAAAAAHHHHHHHH, SOU MUITO FOOOODA!
Fez isso por bons quinze minutos e então pegou as chaves e o celular e saiu de casa mais uma vez. Agora seu destino era a casa de Leo, aquele loiro por quem ela era apaixonada desde a quinta série, mas nunca passara de amigo.

[...]

@Friend control (1)



Certo dia, Larissa quebrou o controle remoto da sua tv, bem na hora do seu programa favorito.

- Droga!

Ela não levantou pra trocar o canal na tv, mas jurou que no outro dia bem cedo, iria até a loja e compraria um controle remoto universal. Ela não precisava disso, mas preferiu que fosse assim, pra tornar a vida mais simples.

Naquela noite ela foi dormir mais cedo, sem esquecer, é claro, de mandar uma mensagem de boa noite para sua amiga Rita. Era um ritual das duas melhores amigas. Assim que recebeu a resposta, Larissa fechou os olhos e adormeceu. No outro dia, acordou cedo como havia prometido, colocou as calças vermelhas-sou-fã-de-Paramore, um tênis e uma regata branca e foi-se embora de casa, em busca do tal controle universal. Larissa não toma café da manhã, está de regime e sua meta é perder 15kg. Até agora, ela já perdeu 2kg. Há seis meses que ela faz dieta.

Larissa diz não se importar com o que os outros pensam da aparência dela - seus 13kg a mais, seu cabelo muito crespo e seus óculos, além da sempre companheira calça vermelho-sou-fã-de-Paramore -, até suas amigas mais íntimas acreditavam nisso. Até Rita.

Rita e Larissa se conheceram na pré escola. Rita era uma loirinha miúda e quietinha, não fazia nada pra chamar atenção e procurava não se meter em encrencas. Já Larissa era brilhante, falava alto e queria sempre comandar as brincadeiras, a legítima Rainha do Parquinho. Talvez tenha sido por isso que Larissa resolveu nomear Rira como sua "fiel companheira" - como ela costumava dizer, quando brincavam de princesa e plebéia. Rita nunca se importou com o egocentrismo da colega e, aos poucos, elas se tornaram amigas de verdade. Uma completa a outra. Eram melhores amigas há doze anos. [...]

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

PRÉ-vestibular

(Festa das Tintas do Unificado 2009)





Quase 6 mil dos 32.707 inscritos não compareceram às provas do concurso

Não tinha nada a ver com o assunto, mas o fato de metade dos concorrentes da minha sala não ter aparecido no dia do vestibular me deixou bem feliz. Daí ver que DEZOITO VIRGULA TRINTA E QUATRO por cento de todos os inscritos não compareceram me deixa mais feliz ainda! Quer dizer, desses 6 mil, uns MIL eram meus concorrentes em jornalismo. Tirando aquele babacão que deixou o celular ligado E no bolso e o outro que DERRAMOU ÁGUA NA FOLHA ÓPTICA. Se foderam *-
Continuando.
Eu ia começar falando como o vestibular arrancou o meu couro nesses últimos quatro dias. Ia dizer que eu virei um vegetal, que não falava com ninguém, que não saía de casa e mal falava. Ia dizer que morri com as malditas dezesseis questões em português (mas depois eu descobri que a média foi 11,7 e eu peguei um desvio LINDO que vai deixar minha nota lá em cima, bgs :*) Também ia falar que eu não corrigi nenhuma prova (exceto a de português) porque eu to morrendo de medo de ver que eu fiz UMA em matemática.

MAS eu lembrei que o vestibular também me trouxe coisas boas (poucas, mas boas). Ontem, por exemplo, teve a Festa das Tintas do Unificado, onde eu levei um BAITA banho de tinta (ah, JU-RA?) e vi um Avatar verde entre dois azuis. Foi quando eu segui um trio elétrico com todos os meus professores em cima e cantei ARMANDINHO com mais duas mil pessoas, pelas ruas de Porto Alegre! Também teve o Pré-prova (um em cada dia que antecede as provas), onde um dos meus professores se vestiu de Chewbacca e dançou o Pintinho Amarelinho pra nós. Quando os professores de Espanhol e Inglês se travestiram de Crepúsculo e fizeram um filme muito melhor que o original (muito infelizmente, não achei esse vídeo ainda...)! E, no primeiro dia, os CATS de física Giva e Lucius (além do Ênio, Filipe, André, Adroaldo, Héston, Jeferson e Diego) fizeram o pré-prova deles todo inspirado no CQC! GENTE, FOI LINDO! Mas como eu não sei postar vídeos (é, eu não sei '-')Então vai lá no Youtube taca 'Pré Prova Unificado 2010'

Isso tudo é como passar o ano com uma família diferente, muito melhor do que aquelas que nós não escolhemos (a de verdade) e aquelas que escolhemos (amigos). Pena que o meu ano dessa alegria toda já passou. Foi inesquecível.

Só por isso, 2010 já está sendo um dos melhores anos pra mim. Se eu passar no vestibular logo na primeira chamada, daí sim eu vou ser a pessoa mais feliz do mundo. E prometo largar as drogas -n -q

sábado, 9 de janeiro de 2010

Fail!

Quando a gente já passou daquela fase que querer ficar mostrando pra todo mundo como a gente se sente - mesmo quando o sentimento é uma mentira -, vemos como tudo isso é idiota. Eu não tenho mais paciência pra ficar aturando festas de Get Over It. Aliás, quando acontece, deve ser tratado na maior naturalidade e não com vamos festejar. Por que isso também é mentira.
Fail.
Quando se supera alguém, dificilmente tu continua convivendo com a tal criatura. Tu some da vida dela e prefere esquecer os momentos difíceis, não comemora a superação deles com um bolo. Porque, daí sim, eles ficam marcados pra sempre.
Eu tento ser compreensível, na maioria da vezes. Tenho calma, respiro fundo, sorrio e sou educado. Incentivo as pessoas nas atitudes delas. Mas da última vez? Fail. Eu fiz tudo isso, mas não era o que eu queria. Queria te dito que a pessoa estava tentando esconder alguma coisa, de novo, como sempre faz. Uma vez (vamos batizar a criatura de "F", sempre no feminino, porque é A letra, ok?) a F me disse que, quando já triste, irritada ou qualquer coisa assim, ela fica rindo e tempo todo, mandando emoticons retardados com sorrisos gigantes e dizendo que tá tudo lindo e perfeito.
Viu? Eu tenho boa memória, quando convém.
Por isso, FAIL.
Fingir sentimentos não rola, forçar coisas não rola, tentar ser amigo assim, não rola. Como eu disse ontem, não estou tendo dificuldades em me desapegar. Então, F, essa é a tua última chance. Seja verdadeira comigo, chega de infantilidade, chega de ouvir os conselhos hipócritas das pessoas que dizem que querem o teu bem. Ter que aturar a tua falta de sinceridade já tá me dando nos nervos e isso faz mal pra minha pele rs e, uma hora ou outra, eu vou te largar. E daí sim tu vai ficar bad.
E eu espero que, quando/se isso acontecer, tu não finja que está tudo bem, porque vai me mostrar que tu continua fraca e os conselhos que eu te dei aqui (e eu sei que tu leu e que tu sabe que são pra ti) foram em vão.
Não estou te obrigando a nada, só tentando abrir teus olhos pro mundo real. Não tem fantasia e Doug Poynter pra todo mundo aqui, F.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Apelidos e apegos




Tenho uma guria por aí que não gosta de mim. Não que ela não goste de mim, ela só espera que eu morra da pior maneira que possa se desejar a alguém! E, sinceramente, se ela pudesse me matar desse jeito que a mente dela devaneia, ela o faria sem hesitar! Eu vou chamá-la de "T".
Bom, eu e a T já fomos amigos um dia. Mas antes disso, nós também já tivemos um probleminha juntos (ou um contra a outra rs), então, quando ficamos amigos, resolvi dar um apelido pra ela. Nem que fosse "T.zinha" ou "Ti" ou "Têtê". Mas era uma maneira de ela saber que eu me importava, entende? Então o apelido ficou "Ti".
Ah, era Ti pra lá, Ti pra cá, falo só com a Ti no msn, se entrar me chama... aquela coisa toda que, BEM no fundo, a gente sabe que é forçada. Mas claro que, na hora, a gente nem sabe que tá forçando a barra com essa frescura toda. Aí, uns meses depois, eu percebi que tinha me apegado a ela. Tudo bem, acontece com melhores amigos, certo? Se vocês forem mesmo melhores amigos, certo. No meu caso, FAIL. Nós brigamos e voltamos àquela coisa TENSA que era a nossa fight relationship! Mas eu não conseguia admitir que não deu certo, não conseguia deletar a guria do msn, do orkut, do que fosse. Era terrível e estava me fazendo muito mal. Eu não tomava uma atitude apenas por conveniência. Eu continuava fingindo, preso.
Até que, enfim, eu consegui me desapegar. Ontem, entre muitas outras coisas que me deixaram muito orgulhoso de mim e de outras pessoas próximas, essa foi uma delas. Deletei a guria do orkut e do msn, que é só por aí que eu vejo ela, em geral. Me sinto livre de um peso tremendo, sério! Quando a gente brigou, me perguntaram: e isso não é bom? Na hora, eu respondi que não, mas, depois de ontem, minha resposta mudou.
Não tenho mais medo do impulso de desapegar. Eu devia ter feito isso antes, se eu soubesse que seria tão libertador.
Desapegar é uma coisa difícil de fazer, mas todo mundo devia fazer. Vou fazer muitas vezes mais e recomendo a todos que estejam se sentindo presos de uma maneira ou outra. Venda, troque, renove, jogue fora e não tenha medo de se arrepender. Respira fundo, isso não vai acontecer.


Desculpa a falta de verde hoje, a página tá dando problema.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

bipolar life sucks!




Me lembro do dia que ela virou pra mim e disse: você é insuportavelmente imprevisível.
Até aquele dia, eu nem percebia o que eu dizia, o que eu fazia, sei lá. Gente, desculpa aí, mas as pessoas que se assumem bipolares desde sempre,
não são
. Porque ser bipolar virou moda e, quem realmente tem esse problema, sofre. Eu preferia viver sem isso, se tu quer saber, mas como eu não posso fazer nada sozinha – porque meus amigos são hipócritas e psicólogas nos cobram até a alma -, eu gostaria mesmo que as pessoas com quem eu convivo entendam que eu não faço nada de ruim de propósito
não na maioria das vezes . E não é só pra mim, ta? q Todas as pessoas que têm amigos extremamente bipolares iguais à lulu aqui rs tenham paciência com seus amiguinhos surtados. Provavelmente eles são cheios de problemas e, em alguns casos, gays -Q
Mas, gay ou não (?) , não é uma coisa que a gente escolhe ser/ter e as pessoas “normais” não conseguem entender isso e acabam se sentindo ofendidas ou prejudicadas por uma coisa ou outra que a gente faz. Repito, não é de propósito
.
E, sabe, eu juro que tento tomar cuidado com isso, mas daí to lá, bem livre-leve-e-solta
-n e alguém me fala: achei que tu tava de cara comigo. E eu fico pensando: WTF? Bom, estou deixando claro aqui que, no momento, eu não estou de cara ou odiando ninguém, ta? rs
Aliás, quando eu estiver assim, ah, vocês
vão perceber.
Gente, não é só porque uma pessoa, num segundo ta tri feliz e no outro é uma desgraça pro teu bom humor, que ela não merece a nossa atenção, amizade e compreensão. Adote um bipolar!
-n E vai que tu consegue fazer essa criatura ser normal de novo!? rs







terça-feira, 5 de janeiro de 2010

qual é o problema delas?


Vou te dizer qual é o problema, ELAS NÃO SABEM O QUE QUEREM! O problema até pode estar na gente, mas elas sempre dão um jeito de complicar mais um pouquinho. Elas e as melhores amigas. Melhores amigas só existem pra estragar um (ou tentativa de) relacionamento e, no final, tudo que elas fazem é invejar. Invejar a atenção que a outra ganha, quem dá a atenção, isso não importa, sempre tem uma coisinha que incomoda. Tá, eu não comecei iss... AH, ESPERA, acabei de me lembrar de um detalhezinho: não fui eu que estraguei tudo. Sendo assim, isso vira um post quase inútil.
Mas eu ainda quero saber por que mulheres são tão complicadas, porque elas "sofrem" tanto e porque elas guardam tanto rancor e todas as coisas ruins do passado. O passado PASSOU, caso alguém ainda não tenha descoberto isso. Sei lá, meu, as pessoas tem que aprender a tentar de novo, a desistir do impossível. E também ia ser legal se elas não virassem toda a situação contra nós q Gurias, isso não é legal! rs Principalmente porque, depois que a gente percebe o planozinho DO MAL de vocês, a gente joga isso na cara e vocês ficam com cara de idiota e começam a chorar ou dizer que nós somos cruéis e cretinos. Pois é, vocês fazem a gente ser assim. Sobrevivência, entende?
Mais uma coisinha. Também acho que elas deviam parar de ficar tristes com caras que não gostam delas ou que terminaram com elas. Ou fiquem tristes e DEMONSTREM que estão tristes. Essa coisa de ficar fingindo que superou irrita e não cola, foi mal. A gente vai entender muito melhor se vocês forem sinceras com a gente, se vocês deixarem os sentimentos transparecerem. Mas claro que isso é apenas um toque, uma dica.
Só sei que mulheres deviam vir com um manual de instruções.

não deixe o recalque tomar conta do seu ser!


Só sei que essa história de rpg já tá cansando a minha beleza. Todo mundo lá - ok, grande maioria - leva tudo pro lado pessoal, aceita chantagens normalmente e quem se fode é sempre o Matt. Eu também não vou ser totalmente hipócrita, dizendo que oh, não, eu não levo nada pro lado pessoal, mas não do jeito que eu vi a V. fazendo hoje. Meu, aquilo é coisa de quem não tem vida fora do computador! De boa, estou cada vez com mais vontade de deletar tudo e viver a minha vida 100% fora daquilo. Foi mal se eu me preocupo comigo de vez em quando, e deixo os sentimentos dos outros de lado, mas a vida é assim, face that! Se eu for ficar pensando em cada um que eu posso prejudicar, toda vez que faço ou falo alguma coisa, eu simplesmente vou virar um vegetal, porque ninguém nunca tá satisfeito. Ah, quando é pra criticar, deletar depoimentos, esquecer de como era legal quando ninguém se importava com a vida dos outros, ninguém faz. Mas acha um probleminha na personalidade de alguém... é, meu amor, daí o mundo desaba na pobre criatura e ela ainda sai como vilã da história.