segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

@Friend control (4)

[...]

A maneira como Hannah e Larissa se tornaram amigas ainda é um mistério para as duas. As duas, com sete anos de idade, desceram o pau uma na outra, no parquinho da escola. Motivo? As crianças estavam fazendo uma votação pra eleger as novas Rainha e Princesa do Parquinho e Hannah venceu Larissa. Pela primeira vez, nem em segundo lugar ela ficou. As duas ralaram os joelhos e perderam muitos fios de cabelo. Depois de alguns minutos com Rita, Larissa foi até Hannah para se desculpar. Depois disso, Hannah descobriu que Rita havia aberto mão de seu título de Princesa do Parquinho para que Larissa pedisse desculpas.
- Se quiser guardar o filme pra quando ela quiser aparecer de novo, eu não me importo.
Larissa, sempre pensando nas amigas. Leo franziu o cenho, desconfiado.
- Você sabe que isso que você tá fazendo é errado, não?
Ela congelou com o olhar fixo nos olhos azuis dele. Será que ele percebeu? Será que ele já sabia? Não, não tinha como. Sorriu.
- Querer deixar que ela assista o filme com você numa próxima vez? Ora, não acho que isso seja uma coisa ruim de se fazer.
Ele soltou a frigideira e o pano de prato que estavam nas suas mãos e passou os dedos pelos cabelos volumosos dela.
- Você sabe do que eu to falando.
Avisou, numa voz meio sombria demais. Em seguida, Larissa teve a ligeira impressão de que o rosto dele se iluminara e então ele voltou a sorrir.
- Então, vamos pra sala?

Por medo, Larissa deixou seu planinho de lado e, ao fim do filme e das panquecas que acabaram com sua dieta, ela voltou pra casa. Estava em seu quarto, com um pijama de ursinhos roxo, segurando o Controle nas mãos. O que era aquela coisa e o que ela estava fazendo? Era poder demais pra uma pessoa só. Da janela, uma música country irritante começou a tocar. Ela apontou o Controle para fora e apertou "mute", mas nada aconteceu.
- Mas o que...
Então uma luz se iluminou em sua cabeça. Será? Ficou de joelhos na casa e se apoiou na janela. Lá embaixo, uma ou outra pessoa passava na calçada. Ela apontou o controle para um homem com sacolas de compras nas mãos. Move to. Nada aconteceu. Larissa arregalou os olhos, pulou da cama e agarrou o telefone rosa que ficava em cima da escrivaninha. Ligou para Rita.
- Droga, achei que nunca mais fosse ligar!
Rita berrou do outro lado da linha. Parecia que tinha acordado de um transe.
- Ok, mas eu liguei. Que tal sair hoje à noite?
Testou. Rita ficou calada por uns segundos.
- Hm, acho que não vou poder ir, vai vir visita aqui hoje e...
Larissa apertou o primeiro botão de novo e Rita ficou queita da mesma maneira assustadora que antes.
- Decida que quer ir.
- Acho que vou poder sair sim, na verdade.
Click.
- Decida que não pode.
- É que, como eu disse, tem visita aqui hoje e...
- Que visita?
Rita parou de novo. Larissa quase podia vê-la mordendo o lábio, apreensiva.
- Não sei se...
- QUEM, Rita?
- Ah, é o Leo, mas...
- O LEO?
Não quis ouvir mais nada, desligou o telefone e enfiou a cara no travesseiro. Estava com preguiça de pensar, tinha acabado de comer meia pizza e quase um litro de Coca-Cola, mas o dia seguinte prometia.

O celular de Hannah chamou duas vezes antes que ela atendesse.
- Hannah? Oi! Olha, não quer passar aqui em casa hoje? Sei lá, vou convidar a Rita, o Leo e o Gabriel também!
- O Gabriel? Não acho que seja uma boa idéia, a Rita ainda não tá muito bem com ele.
Larissa sorriu.
- Não seja assim, vai ser melhor que eles se entendam de uma vez.
- Ah, certo, eu posso ir sim.
- Te vejo às 20h, beijinho!

A linha exclusiva do quarto de Rita chamou três vezes e, na terceira vez, foi atendida.
- Oi Larissa!
Larissa parou um segundo.
- Leo? O que você...
Ah, claro, a visitinha. Ela recobrou a postura e seguiu a falar.
- Então, você pode dizer pra Rita que eu estou convidando vocês dois pra virem aqui hoje? A Hannah também vem!
Dizer que Gabriel ia era bem dispensável.
- Não sei se...
Click.
- Larissa, já disse que o que você tá fazendo vai acabar causando problemas.
- Não to fazendo nada!
- De qualquer forma, eu aviso ela e nós vamos, ok? Que horas?
- Oito.
E desligou. Foi por pouco.
Aquela coisa só funcionava com amigos.

[...]

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