sábado, 28 de agosto de 2010

Quarta à noite

Friday night
Saturday night
What about a Wednesday night?




   Andando pela rua na manhã seguinte a aula de Estética e História da Arte, ainda podia ouvir a voz da professora tagarelando sobre o famoso pintor local. Na descida, quase no cruzamento da rua A com a B, onde há uma praça em cada esquina, senti uma gota de água caindo no meu cabelo. Olhei pra cima. Nuvens. Droga, chuva! Mas já estava no meio do caminho, então iria até o fim.
   Dois passos adiante, outra gota, mas no chão. Oh meu Deus, aquilo era vermelho? Me abaixei para ver de perto. Sim, era chuva vermelha! Toquei meu cabelo onde a primeira gota havia caído e olhei minha mão. Verde? Mas que diabos é tudo isso? Outras duas gotas caíram no chão, ambas laranja. Levantei, assustada, procurando por alguém que também estivesse vendo aquela bizarrice. Claro, eu estava sozinha. Que conveniente. Alguma coisa escorreu pelo meu braço descoberto. E era azul. A chuva, não o meu braço... Tudo bem, é o apocalipse, mas eu não quero morrer agora! Olhei para o céu. Maldito pensamento, uma tempestade de chuva colorida despencou sobre a encruzilhada - e sobre meus olhos, quase de deixando cega. Será que o Céu contratou o Restart para comemorar os 3.000 anos de Paraíso? Só essa idéia já me dava arrepios!
   - NÃÃÃO! - gritei com todas as minhas forças, quando limpei os olhos e encontrei Pê Lanza e Iberê Camargo pintando as nuvens de todas as cores.
   - Camila. CAMILA, para de gritar! - alguém falou no meu ouvido. Levantei a cabeça e todos olharam pra mim.
O que, a aula de história da arte ainda não terminou? Oh deus...

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